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Ministério da Fazenda faz homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Elas fazem a diferença. Fazenda conta histórias de seis servidoras que integram o quadro do ministério
publicado: 08/03/2016 17h38 última modificação: 12/04/2016 18h33

Nesta terça-feira (08/03), Dia Internacional da Mulher, o Ministério da Fazenda conta a história de seis servidoras que representam a capacidade de gestão feminina. Alexandra, Anelize, Cláudia, Fabiana, Gildenora e Lana são exemplos de mulheres cujas decisões impactam na excelência da administração pública. Confira abaixo as suas histórias. 

 

“Nós temos de nos dividir em vários papéis”, afirma a subsecretária de Contabilidade Pública, Gildenora Milhomem

Fabiana Gildenora

 Fabiana Rodopoulos                      Gildenora Milhomem 

 Prestes a completar 30 anos, o Tesouro Nacional ainda é, por assim dizer, uma instituição eminentemente masculina. De seus 722 servidores ativos, apenas 248 são mulheres, ou seja, pouco mais de 34%. “Mas isso tem mudado rapidamente”, garante a coordenadora-geral de Estudos Econômico-Fiscais da STN, Fabiana Rodopoulos. “Há hoje mulheres em todos os níveis gerenciais do Tesouro. Temos duas subsecretárias e uma diretora de programa”, disse ela, que está na STN desde 2001.

Uma dessas subsecretárias é Gildenora Milhomem, à frente da Contabilidade Pública. Para ela, a idade pesou mais do que o gênero no início da carreira. Gildenora ingressou no serviço público com 19 anos, como estagiária, e já aos 23 foi designada coordenadora-geral de orçamento e finanças do Ministério da Fazenda. “Senti que titubearam em que eu fosse nomeada para o cargo, por causa da pouca idade”, afirma. “Dentro do serviço público, em especial no MF, nunca senti dificuldade por ser mulher”. 

Ainda assim, Gildenora concorda que a mulher se cobra mais. “Queremos ser a melhor mãe, a melhor esposa, a melhor filha. Nós temos de nos dividir em vários papéis”, afirmou. “Queremos ter esse reconhecimento das nossas competências, habilidades, do melhor que queremos dar para a instituição, sem deixar de lado os outros papéis”, acrescentou ela, que é mãe de Leonardo e Juliana, hoje com 21 e 20 anos, respectivamente. “Os dois preferiram seguir a carreira do pai, o Direito”, disse ela, que é contadora. “Eles não gostam de matemática.”

Fabiana também é mãe de dois filhos: Henrique, de dez anos, e Bernardo, de quatro. Para ela, a palavra é desafio. “Essa fase, a do Bernardo, ainda demanda muito da mãe”, afirmou a economista, acrescentando que é fundamental contrabalançar custos e benefícios e conhecer os próprios limites na hora de equilibrar trabalho e família. “Mas a gente sabe conciliar”, disse Fabiana, destacando que uma das qualidades que as mulheres possuem é a de se desdobrarem em várias funções. 

Outra vantagem a favor das mulheres, disseram ambas, aparece quando estão no papel de gestoras: a intuição. “O que faz com que tenhamos uma equipe afinada é saber descentralizar, cobrar, delegar, verificar as melhores competências e habilidades de cada um. Como gerente é preciso ter essa percepção, e nós mulheres a temos mais aflorada”, disse Gildenora. “A mulher usa melhor a intuição para fazer esse mapeamento das competências”, concordou Fabiana.

O orgulho de fazer parte da história dos 30 anos do Tesouro Nacional se reflete no engajamento das duas em seus projetos de trabalho. Gildenora, há 30 anos no serviço público, conta que quer encerrar a carreira onde começou. “O Tesouro é sólido, forte, responsável e tem credibilidade dentro e fora do país”, afirmou ela, ressaltando a importância da busca constante da instituição pela transparência, responsabilidade e ética no desenvolvimento da contabilidade.

Fabiana destacou o crescimento da relevância do Tesouro e seu desafio diante do cenário econômico atual. “O Tesouro exerce papel fundamental para o zelo e a sustentabilidade das contas públicas”, afirmou. “Aumentar a transparência das contas e melhorar a eficiência do gasto são papéis nos quais temos evoluído, em ternos de governança, de maturidade institucional. O Tesouro é nossa segunda casa.”

"Acho que o poder do feminino paira sobre as civilizações", diz Anelize de Almeida, diretora de Gestão da Dívida Ativa da União da PGFN

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Gaúcha de Passo Fundo (RS), Anelize Lenzi Ruas de Almeida tomou posse na PGFN, em 2006, em Manaus (AM). Foi transferida, em 2007, para a Procuradoria Regional da Fazenda Nacional da 1ª região, em Brasília, onde assumiu a chefia no ano seguinte. Anelize foi Procuradora-Chefe da Dívida Ativa na 1ª Região , e chefe de gabinete da ex-Procuradora Geral Adriana Queiroz de Carvalho, a primeira mulher a ocupar o cargo mais alto da hierarquia da Fazenda Nacional.

A procuradora conta que nunca sofreu agressão direta ou afronta ao longo da carreira de dez anos na Procuradoria e 17 de serviço público federal. Mas que, muitas vezes, sendo a única mulher a participar de uma reunião só com homens já ouviu que estava lá para ‘embelezar’. “Eu não sou vaso de flor para embelezar. Estou lá representando a PGFN para discutir assuntos técnicos. São comentários aparentemente elogiosos, mas que não demonstram prestígio profissional algum”, explica.

“Eu tenho uma postura muito feminista em relação ao mundo. Acho que o poder do feminino paira sobre as civilizações. Mas as estruturas hierárquicas e de governo ainda são muito masculinas”, pondera. Anelize considera favorável que se discuta cada vez mais a posição da mulher no mercado de trabalho e dentro do serviço público. “É muito importante que isso não se reduza a um discurso sexista. Não estou aqui defendendo que as mulheres são isso e os homens são aquilo. Quando você discute um assunto no âmbito das organizações, você sai desse discurso sexista e passa a discutir a origem do preconceito”.

Anelize tem uma filha de três anos de idade, Valentina, e uma enteada de 20 anos, chamada Anna Alice, “quase minha xará”. Discorda que homens e mulheres vivam os mesmos dilemas entre família e trabalho, mas se diz privilegiada pela experiência que tem dentro de casa. “Eu tenho um marido que é muito bom pai. Eu tenho certeza que, no meu caso específico, os dilemas que eu enfrento são exatamente os dilemas do pai da minha filha”.

Ouça aqui a íntegra da entrevista com a Diretora de Gestão da Dívida Ativa da União, Anelize Lenzi Ruas de Almeida.

“A mulher muitas vezes precisa de muito mais energia para mostrar a que veio”, acredita a coordenadora da Atuação Judicial perante ao STJ, Lana Borges

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Lana Borges é procuradora da Fazenda Nacional e coordenadora da Atuação Judicial perante o Superior Tribunal de Justiça. 

Professora universitária na mesma universidade em que se formou em Brasília, Lana Borges chegou à representação judicial da PGFN, em 2010, onde trabalhou na Divisão de Acompanhamento Especial, antes de trabalhar na Procuradoria Geral da República. Em 2015, passou por um processo de seleção e sucedeu a procuradora Alexandra Carneiro à frente da equipe de procuradores de defende a União junto aos tribunais superiores.

Lana conta que nunca houve algo que desabonasse seu trabalho pelo fato de ser mulher, “não de maneira direta”. Mas pondera que a mulher precisa demonstrar e reforçar sua capacidade quase diariamente. “A mulher muitas vezes precisa de muito mais energia para mostrar a que veio”. 

Para a procuradora, as atitudes machistas são, muitas vezes, sutis e implícitas. Elas podem passar, inclusive, até pela intimidação. “Algumas pessoas se colocam de maneira mais agressiva imaginando que, por ser mulher, aquele profissional não vai reagir”, explica. 

Outro ponto relevante que Lana ressalta é o dilema entre a maternidade e a vida profissional. “Engravidar foi uma decisão ponderada, pois, afinal de contas eu ia me dividir entre a vida profissional e a maternidade”. A procuradora conta que depois nascimento da minha filha, o dilema volta toda vez que aparece um convite de trabalho.

 Assista a entrevista. 

 “'Mulher é um ser de cabelos longos e ideias curtas', dizia um professor machista”

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Alexandra Carneiro - Coordenadora de atuação judicial da PGFN perante ao STF

Casada e mãe de uma menina de dois anos, a procuradora da Fazenda Nacional Alexandra Maria Carvalho Carneiro lidera a atuação judicial da PGFN perante o Supremo Tribunal Federal. Enquanto concedia esta entrevista no seu local de trabalho, sua filha estava se curando de uma pneumonia. Alexandra conta que o marido, economista e servidor federal, divide com ela as tarefas e preocupações da casa. A relação dos pais dela era distinta: “Minha mãe cuidava da nossa criação enquanto meu pai trabalhava”, recorda-se da infância no Recife.

Formada pela Universidade Federal de Pernambuco, na tradicional Faculdade de Direito do Recife, Alexandra iniciou a carreira na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 2005, na cidade gaúcha de Santo Ângelo, no noroeste do Rio Grande do Sul. Da época da faculdade, ela se lembra de um professor declaradamente machista, que dizia que “a mulher é um ser de cabelos longos e ideias curtas”. O professor virou piada na instituição acadêmica, uma das mais antigas e mais tradicionais do País. Já a aluna logo foi conhecer outras fronteiras do país.

Em 2006, foi transferida para Brasília. Na área de contencioso judicial da PGFN, foi coordenadora da atuação da Procuradoria junto ao Superior Tribunal de Justiça por sete anos. Antes dela, outra procuradora já chefiava a equipe. “Conheço muitas mulheres que se formaram junto comigo que se destacaram, que hoje são juízas, procuradoras federais, promotoras e, até mesmo, advogadas criminalistas”, destaca. Alexandra diz que, no trabalho, a mulher brasileira enfrenta um preconceito subliminar, mas enfatiza que sempre se sentiu valorizada como profissional na PGFN. “Sempre tive reconhecimento pelo meu trabalho”, afirmou. 

“Fiscal não tem sexo. É um ambiente muito técnico aqui”

 Claudia Maria de Andrade - Coordenadora-Geral de Tecnologia da Informação da Receita Federal 

Funcionária de carreira da Receita Federal, Cláudia Maria de Andrade é coordenadora geral de Tecnologia da Informação e uma exceção dupla: não só ela ocupa um cargo de chefia em uma área que, ainda hoje, é vista como predominantemente masculina, como ela também relata nunca ter encontrado qualquer tipo de obstáculo em sua carreira pelo fato de ser mulher. 

“Muito pelo contrário, as pessoas sempre foram muito solidárias. E olha que eu já trabalhei em áreas mais inóspitas, eu comecei no porto de Santos...”, lembra Cláudia. Para a servidora, o perfil técnico do órgão favorece o crescimento profissional baseado no desempenho do profissional. “Quando eu entrei na Receita, eu me lembro que falavam assim: fiscal não tem sexo. É um ambiente muito técnico aqui”.