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Henrique Meirelles assume o Ministério da Fazenda

Ministro diz que governo fará diagnóstico da crise antes de anunciar medidas de recuperação da economia
publicado: 13/05/2016 16h37 última modificação: 13/05/2016 19h39
Gustavo Raniere/GMF

O novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta sexta-feira (13/05) que, antes de anunciar medidas fiscais e de recuperação da economia, o governo fará um diagnóstico das razões que levaram o país a uma trajetória de retração da atividade e de queda da confiança. “Hoje estamos tendo acesso aos dados formais precisos do setor público brasileiro e também de alguns fatores da economia”, disse Meirelles em sua primeira entrevista após assumir o cargo.

“O fato concreto é que, no momento em que nós estamos vivendo essa recessão, e isso leva necessariamente a um aumento do desemprego e a uma queda da renda, claramente isso afeta diretamente o bem-estar das pessoas e é normal e absolutamente legítimo que existe uma demanda hoje da sociedade por uma reversão da trajetória da economia”, observou acerca da mudança na política econômica.

O ministro afirmou que é preciso resgatar a confiança a partir da adoção de medidas consistentes, com chances de serem aprovadas pelo Congresso, mesmo que não tenham efeito imediato. “É muito importante que as medidas não tenham por finalidade serem anunciadas num primeiro momento para satisfazer uma curiosidade natural ou uma ansiedade natural. É importante que sejam anunciadas no momento certo, depois de maturadas, e que tenham um potencial de fato de aprovação pelo Congresso Nacional. A partir dessa sinalização, as pessoas, de uma maneira independente, vão fazer as suas projeções e o nível de confiança começa a se reverter”.

Na avaliação do ministro, a queda do investimento está diretamente relacionada ao atual quadro recessivo.  “Não há dúvida de que o ponto mais importante é a queda do investimento, que levou à queda do emprego, que levou também, ao mesmo tempo, a uma diminuição da capacidade de oferta da economia”, disse Meirelles. Ele acrescentou que mesmo com a demanda caindo em algumas situações, o quadro econômico permitiu uma resistência da inflação.

Ao mesmo tempo em que aponta a queda do investimento como a principal razão para a retração da atividade,  Meirelles cita que a insegurança em relação à sustentabilidade futura da dívida pública é o fator que mais impacta na queda da confiança que afeta o País.

Ele disse acreditar que, para enfrentar a crise, o governo precisa sinalizar que pode reverter a trajetória de elevação da dívida pública, ainda que seu efeito não seja de curto prazo. “Está cada vez mais claro que os consumidores, os investidores, os empresários e os analistas olham e fazem os seus cálculos. Na medida em que a trajetória  é negativa e está crescente, as pessoas vão olhar, com razão, o que vai reverter isso”, reforçou o ministro.

Apesar de não antecipar as medidas de curto prazo que pretende adotar para estabilizar a economia, Meirelles confirmou que o governo do presidente da República interino, Michel Temer, trabalhará numa proposta de reforma da Previdência e também trabalhista e garantiu que os programas sociais serão mantidos, porém revistos.

Ao comentar sobre a necessidade de adoção de medidas consistentes com a realidade, o ministro disse:  “É importante que, de um lado, sim, tenhamos pressa. Mas por outro lado é importante que a avaliação e as medidas sejam definitivas, isto é, sejam tomadas de uma forma que não leve a reversões depois de algum tempo. Sejam as medidas, sejam as estimativas , sejam as metas fiscais e etc. As metas têm que ser anunciadas com realismo”, reforçou.

NOVA EQUIPE

O ministro adiantou que anunciará na próxima segunda-feira os nomes dos presidentes do Banco Central, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica, além dos secretários que vão integrar a equipe do Ministério da Fazenda, entre os quais o do Tesouro Nacional e de Política Econômica.

A convite de Meirelles,  o titular da Secretaria Executiva será Tarcisio Godoy, que já ocupou o mesmo cargo até o final do ano passado, na gestão do ex-ministro Joaquim Levy. “Os demais já estão devidamente encaminhados e durante o final de semana eu vou chegar a uma conclusão final e fazer o anúncio de todos esses nomes”.

Ouça a entrevista coletiva:

Acesse a transcrição da entrevista coletiva aqui.

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