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​Dívida Pública cresce 2,82% em maio e emissões líquidas somam R$ 44,32 bilhões

Dívida Pública

Carteira do grupo Previdência, formado por investidores de longo prazo, cresceu R$ 6,5 bilhões
publicado: 27/06/2016 13h39 última modificação: 28/06/2016 18h42
Gustavo Raniere/GMF

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) cresceu 2,82% entre abril e maio, passando de R$ 2,799 trilhões para R$ 2,878 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) aumentou 2,77%, para R$ 2,744 trilhões, enquanto a Dívida Pública Federal externa (DPFe) avançou 3,94%, para R$ 134,70 bilhões, um incremento provocado pela depreciação do real frente às moedas estrangeiras no mês passado.  

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (27/06) pelo Tesouro Nacional. “Assim como todos os outros meses deste ano, maio foi bastante positivo, no qual foi possível fazer uma emissão em volumes bastante consideráveis”, disse o coordenador-geral de operações da dívida pública, Leandro Secunho.

As emissões da DPF somaram R$ 55,80 bilhões em maio. Aproximadamente 75% desse total corresponderam a títulos prefixados, 17% a papéis atrelados a índices de preços e 7% a títulos com taxa flutuante. “Existe uma sazonalidade dessas emissões. Em abril, como havia um vencimento muito grande, houve um resgate líquido de títulos, principalmente prefixados. Em maio, houve uma emissão líquida, uma vez que o vencimento era considerado relativamente baixo, comparativamente a outros meses”, explicou Secunho.

Os resgates totalizaram R$ 11,48 bilhões em maio, basicamente referentes ao vencimento de cupom de juros de NTN-B. “Todas as NTN-Bs com vencimento em anos ímpares pagam juros semestrais nos meses de maio e novembro. Então esse vencimento já era aguardado”, disse o coordenador. As emissões líquidas somaram R$ 44,32 bilhões.

Composição e detentores

Em termos de composição, houve aumento da participação dos títulos prefixados, de 34,48% em abril para 35,32% em maio, e redução da fatia de papéis atrelados a índices de preços e com taxas flutuantes, para 33,96% e 25,84%, respectivamente.

A expectativa é que as participações dos diversos tipos de títulos encerrem o ano dentro dos intervalos do Plano Anual de Financiamento (PAF), com a possibilidade de a fatia dos prefixados superar marginalmente o teto de 35% e a dos papéis com taxas flutuantes ficar um pouco abaixo do piso de 30%. Esse comportamento está em linha com as diretrizes de longo prazo buscadas pelo Tesouro para a composição da dívida.

A Previdência, que havia se tornado pela primeira vez em abril o grupo com maior participação no estoque da dívida, continuou liderando em maio, ainda que sua fatia tenha diminuído de 24,14% para 23,72% entre esses dois meses. O valor absoluto da carteira desse grupo cresceu aproximadamente R$ 6,5 bilhões. “Isso é positivo, porque a Previdência é tradicionalmente formada por investidores de longo prazo”, disse Secunho.

A participação relativa dos investidores não residentes recuou de 17,39% em abril para 16,60% em maio. Em termos absolutos, foi uma diminuição de aproximadamente R$ 8,8 bilhões, mas cerca de R$ 8,4 bilhões desse total referem-se às LTNs com vencimento em julho de 2016. 

É comum que, quando se trata de títulos de curtíssimo prazo, os investidores se antecipem e vendam esses papéis antes do vencimento. Secunho explicou que, como são de curto prazo, esses títulos são menos voláteis e portanto sua venda impacta pouco nos preços. Ele destacou também que houve incremento de NTN-Fs, que são de longo prazo, na carteira dos estrangeiros, o que contribui para a diretriz do Tesouro.

Vencimentos, prazos e mercado secundário

O percentual da DPF que vence em 12 meses aumentou do nível historicamente baixo de 18,86% em abril para 20,40% em maio, em razão do efeito estatístico causado pelo vencimento de uma NTN-B em maio de 2017. O movimento, portanto era esperado.

O prazo médio do estoque da DPF recuou de 4,75 anos em abril para 4,67 anos em maio e ficou dentro do intervalo do PAF, de 4,50 a 4,70 anos.  Secunho ressaltou, no entanto, que o prazo médio das emissões avançou de 3,20 para 3,38 anos entre os dois meses. “Isso é importante, porque houve um aumento, mesmo tendo havido uma participação maior dos títulos prefixados no total das emissões”, disse ele.

A vida média da dívida recuou de 6,75 para 6,63 anos. O custo médio do estoque acumulado nos últimos 12 meses manteve-se em 14,25% entre abril e maio.

O volume financeiro médio diário dos títulos negociados no mercado secundário aumentou de R$ 21,70 bilhões em abril para R$ 22,02 bilhões em maio. “Quanto maior o volume negociado no mercado secundário, mais confortáveis os investidores se sentem em comprar no mercado primário. Eles sabem que, se precisarem sair, não terão uma perda relevante de valor dos seus títulos”, afirmou o coordenador.

O volume maior também contribui para o aumento da transparência e da disseminação de preços nesse mercado. Outro destaque positivo do secundário foi o aumento da participação das NTN-Bs, que são em geral papéis de prazo mais longo, de 20,66% para 30,49% entre abril e maio.

Além disso, a participação das negociações em plataforma eletrônica, estimuladas pelo Tesouro por trazerem maior transparência, subiu de 5,88% para 7,17%, um dos maiores níveis já observados. Em maio do ano passado, era de apenas 2,39%.

Tesouro Direto

O programa de vendas de títulos públicos para pessoas físicas registrou emissão líquida de R$ 795,27 milhões em maio, e os papéis remunerados por índices de preços responderam por 62,30% do montante vendido. O estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 31,674 bilhões, um aumento de 3,72% em comparação com abril. O número de investidores cadastrados, por sua vez, cresceu 51,17% em 12 meses até maio, para em 30.861.

Confira o áudio da entrevista coletiva:


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