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Estoque da Dívida Pública Federal cresce 2,77% em junho

Dívida pública federal

Emissões líquidas atingem maior volume desde junho do ano passado; Tesouro Direto e plataforma eletrônica são destaques
publicado: 25/07/2016 12h53 última modificação: 25/07/2016 14h22

O estoque da Dívida Pública Federal (DPF) brasileira aumentou 2,77% em junho na comparação com maio, passando de R$ 2,878 trilhões para R$ 2,958 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) cresceu 3,41% entre os dois meses, para R$ 2,837 trilhões, enquanto a Dívida Pública Federal (DPFe) externa diminuiu 10,34%, para R$ 120,77 bilhões, influenciada pela apreciação do real frente às moedas estrangeiras.

Os números foram apresentados nesta segunda-feira (25/07) pela Secretaria do Tesouro Nacional. O coordenador-geral de operações da dívida pública, Leandro Secunho, chamou atenção para o volume de R$ 61,11 bilhões em emissões líquidas da DPF em junho, o maior desde junho do ano passado. Os títulos prefixados responderam por 72,93% do total de emissões realizadas no mês. Ente os resgates, destacaram-se títulos atrelados a índices de preços (56,02%) e a taxa flutuante (34%).

“Junho foi um mês de poucos vencimentos, enquanto o volume emitido em leilões foi bastante significativo”, comentou Secunho. Ele acrescentou que o mês é sazonalmente fraco em resgates, o que explica em parte o montante elevado de emissões líquidas.

No Relatório Mensal da Dívida, o Tesouro também apresentou o balanço do programa de recompra da dívida externa referente ao terceiro bimestre deste ano. Foram recomprados, em valor de face, R$ 192,67 milhões em títulos da DPFe em maio e junho e o total financeiro desembolsado nessas operações foi de R$ 219,11 milhões.

Composição

Como os títulos prefixados responderam por quase 73% do total de emissões da DPF no mês passado, a participação desses papéis na composição da dívida aumentou de 35,32% para 36,30% entre maio e junho. Todos os demais títulos apresentaram redução.

Secunho disse ser possível que a fatia de prefixados na composição da dívida encerre o ano acima do intervalo do Plano Anual de Financiamento (PAF), que vai de 31% a 35%. Segundo ele, quando o PAF foi anunciado, no início do ano, o cenário estava mais incerto e o nível de taxas era elevado, o que justificava maior preocupação com o custo dos títulos. Como os papéis prefixados têm custo maior, a diretriz era reduzir mais fortemente sua fatia na composição da dívida.

Com a melhora recente do ambiente de negócios, essa preocupação diminuiu. Por isso, observou o coordenador, é possível que os intervalos do PAF para a composição da DPF sejam revistos. “O cenário mudou de dezembro para cá. Tem havido demanda favorável nos leilões de prefixados, o nível de taxa de juros está mais baixo e o Tesouro tem aproveitado essa oportunidade para que a reversão de prefixados seja menos abrupta que o previsto, o que do nosso ponto de vista é positivo”.  

Detentores e prazos

Todos os principais grupos de detentores da dívida aumentaram sua carteira de títulos da DPMFi em junho na comparação com maio, mas em termos relativos a participação das instituições financeiras cresceu em detrimento das demais, passando de 22,87% para 23,65%.

A parcela de papéis com vencimento em até 12 meses do total da DPF, por sua vez, aumentou de 20,40% em maio para 20,44% em junho, mas Secunho chamou atenção para o fato de que, em contrapartida, a fatia de títulos com vencimento acima de 5 anos é de 29,12%. 

O prazo médio do estoque da DPF recuou de 4,67 para 4,55 anos entre maio e junho, mas ainda está dentro do intervalo do PAF, que vai de 4,50 a 4,70 anos. “Temos feito leilões de títulos de longo prazo com volume significativo e o prazo médio das emissões permaneceu praticamente estável. A expectativa é encerrar o ano dentro do intervalo, o que é bastante positivo”, disse Secunho.

Custo

O custo médio da DPF acumulado nos últimos 12 meses diminuiu de 14,25% em maio para 13,80% em junho, influenciado pela queda do custo da dívida externa, de 18,99% para 9,34%, resultante da apreciação do real frente ao dólar. O custo médio da dívida interna acumulado em 12 meses manteve-se em 14,02%.  

O custo médio das emissões da DPMFi, por sua vez, aumentou de 14,31% em maio para 14,42% em junho. O coordenador destacou, no entanto, que isso não significa que o Tesouro esteja fazendo emissões com custo acima do estoque. Ao contrário. “Estamos observando taxas cada vez menores nos leilões, mas esse é um indicador que demora a responder a isso, porque as novas emissões entram nele com peso menor”, explicou.

Plataforma eletrônica e Tesouro Direto

Leandro Secunho também ressaltou o aumento da parcela de títulos públicos negociados no mercado secundário por meio de plataforma eletrônica, que passou de 7,17% em maio para 9,92% em junho. Em junho do ano passado, essa participação era de 2,62%. “Houve avanço expressivo na diretriz do Tesouro de fomentar o mercado secundário e a negociação por meio de plataformas eletrônicas”, disse ele.

Outro destaque do mês passado foi o programa Tesouro Direto ,que registrou o número recorde de 66.218 novos investidores cadastrados.

Dessa forma, o total de investidores cadastrados chegou a 834.835, o que representa um aumento de 60% nos últimos 12 meses. 

As emissões líquidas do programa de venda de títulos da dívida pública para pessoas físicas atingiram R$ 760,05 milhões e o estoque do Tesouro Direto alcançou R$ 32,791 bilhões em junho, um aumento de 3,53% na comparação com maio.