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Ministro ressalta a importância de reformas estruturais para crescimento duradouro

Barbosa comentou a convergência entre as agendas das reuniões do G20 e o debate econômico no Brasil. Aperfeiçoamento da regulação e investimento em infraestrutura também são desafios comuns aos países
publicado: 26/02/2016 18h29 última modificação: 12/04/2016 18h41

O ministro Nelson Barbosa iniciou nesta sexta-feira (26/02) sua agenda em Xangai, onde acontece a partir de hoje a reunião de ministros do G20. Em entrevista à imprensa, o ministro avaliou que há muita convergência entre a pauta debatida na reunião e os temas mais importantes para o Brasil. De um lado, o investimento em infraestrutura como uma avenida para recuperar o crescimento, e de outro a necessidade de reformas estruturais. “Isso tem sido uma coisa que a gente enfatiza há bastante tempo. No nosso caso, com o programa de mais investimentos em infraestrutura via concessões e também com a necessidade de combinar eventuais políticas de estabilização e de suporte ao crescimento com reformas estruturais.” 

Para Barbosa, diferentemente da fase inicial pós-crise de 2008, quando o foco era principalmente política de demanda para estabilizar renda e emprego, o diagnóstico que surge nas reuniões do G20 é de que é fundamental a implementação de reformas estruturais para aumentar a produtividade e garantir uma recuperação duradoura. “No caso do Brasil, as principais reformas estruturais estão do lado fiscal, nós já colocamos as principais linhas no debate interno e também na melhoria do funcionamento de mercados, especificamente no curto prazo de regulação de infraestrutura que têm sido objeto de uma atuação do governo e do Congresso Nacional intensiva nos últimos 12 meses”. 

Ao longo da semana, o ministro participou de diversas reuniões bilaterais em Pequim para detalhar as oportunidades de investimento no Brasil, ele se reuniu com o vice-diretor da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, sigla em inglês), Ning Jizhe, com o Ministro das Finanças da China, Lou Jiwei; com o presidente do banco de desenvolvimento chinês (CDB, em inglês), Hu Huaibang; com o presidente da Sinosure, agência chinesa de crédito, Wang Yi; com representantes de duas companhias ferroviárias e da CNOOC, do setor de petróleo, e ainda com o presidente da China Investment Corporation (CIC), Ding Xuedong. 

Nesta quinta, Barbosa reuniu-se com o vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Paulo Nogueira Batista Júnior, e participou de almoço com a diretoria do Banco. 

 

Confira abaixo os principais pontos da entrevista: 

Política Fiscal

Barbosa disse que o foco principal da agenda do governo neste momento é a construção de uma proposta de reforma da Previdência e de uma reforma fiscal, colocando limite de crescimento para o gasto público. Sobre o superávit primário de R$ 14,8 bilhões, em janeiro, apresentado pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (25/02), o ministro ressaltou que o governo espera continuar melhorando os resultados ao longo do ano: “Ainda estamos no início do ano, e janeiro é tradicionalmente um mês de resultado bem favorável. Nós estamos trabalhando para elevar nosso resultado primário bem acima do que foi no ano passado e apresentamos as medidas necessárias para atingir a meta de resultado estabelecida para este ano que é de R$ 24 bilhões”.

Investimentos

Sobre as reuniões bilaterais com a China, o ministro avaliou que a parceria entre os países continuará apresentando resultados positivos, tanto na construção de linhas de financiamento, quanto na operação de produção e garantias. Barbosa relatou que foram feitas várias reuniões com as duas principais firmas chinesas de ferrovia que têm interesse não só nos projetos já anunciados, mas também em transporte de passageiros. As empresas pediram para que o governo reabrisse a possibilidade de apresentação de projetos nessa área. “Vou ter uma reunião com as autoridades, Ministério dos Transportes, ANTT e também com o Planalto para ver a possibilidade de avançar nisso. Tradicionalmente, os investimentos chineses em infraestrutura, além do financiamento, têm se concentrado em energia elétrica e petróleo. Acho que há uma possibilidade concreta de avançar bastante também na área de ferrovias”, disse o ministro.

Inflação

Para Barbosa, as expectativas continuam apontando para uma queda da inflação. “Nossa projeção é de inflação de 7,1%, como está na programação orçamentária. E nós esperamos que a inflação caia abaixo disso. O ministro de Minas e Energia já colocou um dado importante, que é a expectativa de mudança da bandeira de energia com redução do preço de energia e de algumas tarifas de energia a partir de abril. Eu acho que na decomposição e na projeção que nós e o mercado fazemos essa redução da inflação começa mais a partir de abril”.

Reservas internacionais 

O ministro avaliou que neste momento de maior turbulência financeira, é muito importante preservar o estoque de reservas internacionais. “É um dos fatores que têm dado estabilidade financeira e cambial para o Brasil. As reservas obviamente têm um custo elevado. Nós aplicamos as reservas às taxas internacionais e nos financiamos às taxas domésticas. Mas elas têm um benefício que é dar mais autonomia de política econômica ao Brasil”.