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Levy explica comportamento da economia a internautas

Ministro diz que governo vai gastar menos para reequilibrar suas contas e retomar crescimento
publicado: 09/01/2015 15h10 última modificação: 26/05/2015 16h49
Iano Andrade/Portal Brasil

 O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participou nesta sexta-feira (09/01) de uma conversa com internautas pelo Facebook sobre temas que afetam o dia a dia da população, como inflação, benefícios sociais e aumento de impostos.

No Face to Face, Levy reforçou a intenção do governo de melhorar a qualidade do gasto público e evitar o aumento do endividamento. Veja abaixo os principais temas da conversa.

Perspectivas

O ministro começou o Face to Face respondendo a pergunta de um jovem de 17 anos sobre as perspectivas do país para o futuro. Ressaltou que o Brasil vai passar por um período de ajustes para retomar o crescimento e aumentar a oferta emprego. “O que esperar para daqui 4 anos? Um Brasil mais competitivo, com uma presença maior no mundo, com empregos melhores”, afirmou.

Para alcançar esse objetivo, disse ser preciso arrumar as contas do governo e estimular a concorrência. Na avaliação do ministro, a concorrência é importante para baratear a produção e conquistar mercados externos. “Esse Brasil batalhador é o que a gente pode esperar para crescer e ter mais emprego de qualidade”.

Inflação

Joaquim Levy disse que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do ano passado ficou dentro das bandas estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). “A inflação de 2014 foi de 6,41%, abaixo do máximo de 6,5%, que é o teto. Apesar de todos os desafios, ficou dentro do combinado”, ressaltou. Os dados foram divulgados na manhã de hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sobre a variação do IPCA no próximo período, o ministro explicou que, normalmente, os meses de janeiro e fevereiro apresentam inflação mais alta devido aos reajustes das mensalidades escolares, do IPTU, das tarifas de ônibus, entre outros itens. “Para a economia voltar a crescer, temos que fazer algumas arrumações e isso pode mexer em alguns preços para acomodar a economia em um caminho de crescimento,” esclareceu.

Ele acrescentou que o Banco Central vai continuar atuando para que a inflação convirja para o centro da meta (4,5%) em 2016. “A meta da inflação é muito importante para as pessoas terem confiança e a economia crescer. E para a gente segurar a inflação é preciso que o governo não gaste demais. Se a gente fizer isso agora, vamos poder ter a inflação caindo no ano que vem.”

Benefícios sociais

Questionado sobre as recentes mudanças nas regras para concessão de pensão por morte, Levy apontou que o objetivo é evitar distorções. “O governo paga por despesas de alguém que começa a receber pensão de viúvo ou viúva aos 25 anos de idade, e vai continuar recebendo esse dinheiro por mais 50 anos. Não faz sentido esse desperdício com o dinheiro do povo”, exemplificou.

Segundo o ministro, a alteração dessas regras e a redução dos empréstimos com juros baratos para empresas faz parte das medidas adotadas recentemente pelo governo para reequilibrar as contas públicas. “Empréstimo barato também é pago pelo contribuinte e tem que ser dado só em situações muito especiais”, citou.

Referindo-se ao Decreto de Execução Orçamentária publicado nesta quinta (08/01), com limites de gastos de custeio dos ministérios, lembrou que o governo deu exemplo e cortou suas próprias despesas.

Impostos

Ao ser perguntado se haverá reajuste de tributos, ele respondeu que o governo terá que pensar em rebalancear impostos, pois alguns foram reduzidos no passado. “Essa receita está fazendo falta. Mas, se houver alguma mudança, vai ser com cuidado e depois de a gente esgotar outras possibilidades”.

O ministro tranquilizou os brasileiros e disse que o governo está no caminho certo, tentando acertar as coisas bem antes de estar numa crise. “Como diz um amigo meu, estamos podendo consertar o telhado em dia de sol”.

Chicago Boy

Um das perguntas feitas ao ministro foi se ele se considera um “Chicago boy”. Levy explicou que essa expressão surgiu na década de 70, quando economistas da Universidade de Chicago (onde estudou) propuseram reformas econômicas, as quais algumas deram certo e outras nem tanto. Ele lembrou uma conhecida frase dessa escola: “ninguém come realmente de graça”.

Na avaliação dele, essa frase é importante para quem está no governo, pois, tudo que o governo “dá”, é pago pelo contribuinte. “A gente tem que ter muito cuidado em como usa o dinheiro para garantir que as pessoas certas serão as que receberão os benefícios que precisam”.

Cidadão

Um dos internautas perguntou ao ministro como o cidadão comum poderia contribuir com o país nesse momento de ajuste. Joaquim Levy disse que cada brasileiro ajuda trabalhando, com o máximo de qualidade. “Quando fazemos algo bem, melhoramos aquilo que os economistas chamam de produtividade. É como diz o ditado: “Só o trabalho pode criar riqueza”.”