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Desempenho do PIB continua influenciado por incertezas

Nota à imprensa

Resultado reflete um período de ajuste da economia brasileira
publicado: 01/12/2015 00h00 última modificação: 12/04/2016 20h09

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, hoje (1º de dezembro), que o Produto Interno Bruto (PIB) apresentou retração real de 1,7% no 3º trimestre de 2015, comparativamente ao trimestre anterior, considerando dados livres de influências sazonais. Com isso, o fluxo de produção real da economia brasileira registrou queda na margem pelo terceiro trimestre consecutivo. O resultado negativo de 1,7% veio abaixo do esperado pela Secretaria de Política Econômica SPE do Ministério da Fazenda (−1,1%), surpreendendo também a mediana das expectativas do mercado (−1,2%). 

Pelo lado da demanda, sobressai a queda de 4% nos investimentos  (Formação Bruta de Capital Fixo).  Para essa retração contribuíram, entre outros fatores, os efeitos diretos e indiretos da redução dos investimentos da Petrobras e situações específicas de alguns de seus fornecedores, notadamente na área da construção civil, conforme discutido em estudo do Ministério da Fazenda divulgado em outubro (http://189.9.129.173/assuntos/destaques/nota-a-imprensa-2015-10-21-impacto-da-reducao-dos-investimentos-do-setor-de-oleo-e-gas-no-pib-1.pdf/view) 

Ainda sob o ponto de vista da demanda, o PIB no terceiro trimestre foi influenciado também por uma diminuição de 1,5% no consumo das famílias.  A retração do consumo explica-se em boa parte pela persistência da inflação em vários segmentos, que tem corroído o poder de compra dos trabalhadores e das famílias em um ambiente de pouco dinamismo no mercado de trabalho. O combate à inflação, inclusive no setor de serviços e com a convergência da variação do IPCA para a meta de 4,5% ao ano, permanece, portanto, central para a manutenção do poder de compra e recuperação da atividade econômica. 

O desempenho do PIB tem sido de modo geral afetado pela incerteza de natureza econômica e não econômica que persiste há vários meses no Brasil, além do natural processo de reequilíbrio pelo qual passa a economia brasileira em consequência da queda dos preços das commodities e do fraco nível da atividade econômica mundial, com a decorrente queda da confiança de empresas e consumidores.  

Não obstante o pequeno aumento do consumo do governo observado no último trimestre (0,3%), a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda sublinha que "a consecução do ajuste fiscal, com mitigação do risco de perda do grau de investimento e que logre recuperar a confiança dos agentes econômicos, é fator indispensável para a reversão do cenário menos favorável em que tem se movido a economia brasileira nos últimos trimestres, notadamente a queda do investimento total, que persiste desde 2013”.

A contribuição do setor externo para o PIB permanece positiva, apesar da queda do valor agregado das exportações de 1,8%.  A variação cambial e a desaceleração da demanda doméstica explicam, por outro lado, a redução de 6,9% nas importações.  

Pela ótica da oferta, todos os componentes concorreram para a queda do PIB, com a agropecuária recuando 2,4% em relação ao segundo trimestre, a indústria declinando 1,3% e os serviços caindo 1% em relação ao mesmo período. Na agropecuária, o resultado foi reflexo principalmente das quebras das safras de trigo, cana-de-açúcar e laranja no final do 3º trimestre. 

Na indústria, os destaques negativos foram a indústria de transformação, com retração de 3,1%, e a indústria de construção civil, que recuou 0,5%. A indústria da transformação, subsetor com maior peso no setor industrial (aproximadamente 47%), apresenta quedas consecutivas desde o 2º trimestre de 2013, não tendo ainda reagido às condições do câmbio e se acomodando ao menor estímulo tributário e creditício oferecido à industria de veículos automotores nos últimos meses. A indústria extrativa também registrou contração no trimestre em questão, assinalando queda de 0,2%. Por outro lado, os serviços de utilidade pública (SIUP) tiveram crescimento de 1,1%. 

Entre os serviços, dos sete subsetores, cinco registraram queda na comparação do terceiro com o segundo trimestre de 2015. As maiores retrações ocorreram nos subsetores do comércio (2,4%), fortemente sensível ao ciclo econômico, e de outros serviços (1,8%), decorrente da retração do mercado de trabalho. A intermediação financeira cresceu 0,3% em relação ao trimestre anterior. 

Também pela ótica da oferta, a administração pública se expandiu, tendo o fluxo de serviços prestados aumentado em 0,8% em relação ao segundo trimestre. 

Considerando os dados em relação a 2014, verifica-se ainda que as revisões do crescimento do PIB no 1º e 2º trimestres de 2015 mostraram que o consumo do governo (tipicamente serviços como saúde, educação, defesa, etc.) apresentou queda mais amena do que se inferia pela série original. No 1º trimestre, o consumo do governo foi revisado agora de queda de 1,5% para queda de 0,5%, enquanto no 2º trimestre o consumo do governo foi revisado de −1,1% para −0,3%, ambas em relação ao mesmo trimestre de 2014. 

Os resultados do terceiro trimestre indicam, portanto, uma extensão do período de ajuste da economia brasileira, em significativa parte por fatores que vão além do impacto do reequilíbrio fiscal na demanda agregada, e decorrentes da persistência de incerteza.  Não obstante, o reequilíbrio externo prossegue, como indicado pela evolução do balanço da conta corrente e o surgimento de um superávit comercial de US$ 13,740 bilhões no período de 12 meses encerrado em novembro.

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