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Como efeito do ajuste fiscal, despesas do Tesouro caem no acumulado do ano

Resultado Primário do Governo Central para julho reflete que ajuste prossegue, diz Saintive; pagamentos estão sendo feitos de forma tempestiva e diminuem incerteza
publicado: 27/08/2015 00h00 última modificação: 02/09/2015 20h53

O secretário do Tesouro Nacional, Marcelo Saintive, afirmou nesta quinta-feira (27/08) que a queda nas despesas do Tesouro refletem o processo de ajuste fiscal. As despesas do Tesouro foram reduzidas em 1,1% nos primeiros sete meses de 2015, em relação ao mesmo período do ano passado. Já as despesas totais do Governo Central cresceram apenas 0,4% no acumulado do ano. "Temos feito o corte necessário, e os dados demonstram isso", afirmou Saintive. "Registramos uma queda expressiva das despesas, inclusive as discricionárias".

Ao apresentar o resultado primário do Governo Central, Saintive destacou também que o Tesouro tem efetuado todos os pagamentos dentro de uma programação financeira adequada e planejada. Ele citou como exemplo a quitação tempestiva de subsídios e subvenções. "Nossa estratégia, desde o início, é: se há dívida, vamos pagar", afirmou.
"Quitar os passivos é importante. Quando fazemos os pagamentos de maneira adequada, diminuímos a incerteza, melhoramos a expectativa com relação à economia e podemos vislumbrar um maior crescimento à frente".

Os números divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Tesouro Nacional mostraram que o Governo Central apresentou em julho déficit primário de R$ 7,224 bilhões, o que representa um aumento de 226,5% em termos nominais e de 198% em termos reais, corrigidos pelo IPCA, em comparação com o déficit de R$ 2,213 bilhões de julho do ano passado.
No acumulado de janeiro a julho deste ano, o resultado primário do Governo Central, que é composto pelos números do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, ficou negativo em R$ 9,050 bilhões, ou 0,27% do PIB, frente ao superávit de R$ 15,142 bilhões, ou 0,48% do PIB, de igual intervalo do ano passado.

A receita líquida total do Governo Central caiu 3,7% em termos reais nos sete primeiros meses do ano, o que contribuiu para o resultado líquido negativo acumulado no período. Apenas em julho, a receita líquida total caiu 5,7%, refletindo a diminuição de 5,0% das receitas do Tesouro e de 4,7% da arrecadação da Previdência Social. Esta sentiu o impacto da queda de 3,7% da massa salarial real. As receitas do Banco Central, no entanto, cresceram 76,1%. 

"O nível de atividade explica muito a queda da receita real", afirmou Saintive. Além disso, disse ele, houve redução expressiva da arrecadação com royalties e participações, fruto da diminuição dos preços do petróleo, e uma queda forte dos dividendos. "Ainda não recebemos, nem esperamos receber, dividendos da Petrobras neste ano, e isso impacta nossa receita."
Saintive também disse que o Tesouro vem mantendo conversas com os entes da federação e que todas as partes estão cientes do quadro fiscal que o país atravessa. "Todos estão buscando o ajuste", disse ele. "As conversas têm sido bastante profícuas".

O secretário afirmou ainda que o Tesouro continua perseguindo a meta de superávit primário para o ano. "Geralmente o quarto trimestre tem desempenho melhor que os demais. Além disso, existem diversas medidas, como as concessões, que contarão positivamente para o resultado", disse Saintive.