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Discurso do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante premiação “Melhores da Dinheiro 2013” da Revista Isto É Dinheiro

publicado: 29/08/2013 00h00 última modificação: 02/06/2016 16h18

Senhor vice-presidente da República Michel Temer

Caro Carlos Alzugaray, presidente da Editora Três

Caro Carlos José Marques, diretor editorial da Editora Três

Senhoras e senhores

Não posso deixar de fazer uma homenagem especial ao empresário Domingo Alzugaray, criador da Editora Três e responsável pelo sucesso de todas as revistas do grupo.

É uma honra participar de mais uma festa das Melhores da Dinheiro, um dos mais importantes eventos de negócios do País.

Aos premiados de hoje, o meu cumprimento pelo sucesso em seus negócios. O sucesso de vocês é o sucesso do País.

Sabemos que o ano passado não foi nada fácil para ninguém, com exceção, claro, de alguns poucos afortunados aqui como João Dória.

No mundo dos negócios, como no da política, é sempre assim: você vence um desafio e novos desafios se colocam à frente.

Agora temos essa nova turbulência nos mercados financeiros causada pelo Fed, o Banco Central americano, que tem causado sérios problemas, não só no Brasil, mas no mundo todo.

O Fed exagerou na dose dos estímulos financeiros e agora está em via de desativa-los. É preciso muito cuidado nesse processo de desativação para não prejudicar os outros países.

Mas o fato importante é que, mais uma vez, o Brasil está bem preparado para a turbulência. Acumulamos ao longo de todos esses anos uma grande quantidade de reservas, que hoje somam mais de 370 bilhões de dólares. Temos um déficit em conta corrente menor que outros países. Além disso, temos mercado consumidor e um
mercado financeiro que continuam atraindo investidores de todo o mundo.

É por isso que não há fuga de dólares do Brasil, enquanto outros países emergentes já perderam 150 bilhões de dólares em reservas. Nesses momentos difíceis é que se vê a diferença.

De janeiro a junho, nós já recebemos 59 bilhões de dólares de investimentos estrangeiros, tanto na produção quanto em ativos financeiros. No ano passado, o Brasil foi o terceiro maior receptor de investimento externo direto do mundo, só abaixo dos Estados Unidos e da China. E neste ano a tendência é mantermos essa posição.

A boa notícia por trás desses movimentos que ocorrem no mercado financeiro internacional é que os países avançados começam a dar sinais de recuperação. Os Estados Unidos, com maior vigor, e os países europeus, mais moderadamente, seguem na mesma direção.

O fundamental é que o Brasil construiu condições sólidas para enfrentar esse momento.

O Banco Central e o Tesouro têm agido com eficiência para dar liquidez aos mercados e manter a normalidade da economia. 

Mesmo com todas essas dificuldades, a atividade econômica do País vem se expandindo gradualmente nos últimos trimestres. Os investimentos estão indo bem, a agricultura cresce fortemente e a indústria também dá sinais de recuperação. Tudo isso num cenário de baixo desemprego.

O Brasil possui ainda um dos melhores mercados consumidores do mundo e o investimento é a locomotiva do nosso crescimento, agora e nos próximos anos.

Um grande programa de concessões em infraestrutura está sendo implantado no Brasil, um dos maiores da história. Esse programa vai movimentar mais de 200 bilhões de dólares nos próximos anos e dotar o país de uma infraestrutura moderna e eficiente.

Além disso, o programa de concessões irá proporcionar uma alta rentabilidade para os investidores. Trabalhamos com alta rentabilidade para atrair mais investidores e fomentar a concorrência.

Quero terminar essa breve manifestação falando da questão da confiança.
No final do primeiro semestre deste ano, houve queda na confiança do consumidor, do empresário e de outros segmentos da sociedade. Vários são os fatores que levaram a isto. Desde a inflação no início do ano, passando pelo início da turbulência do Fed, em maio, e também pelas manifestações de junho e pela maledicência de alguns
descontentes.

Nessas horas, sempre aparecem oportunistas que aproveitam para forçar a mão e vender pessimismo. E isto provocou alguns exageros na imagem que se produziu no País. Nitidamente pintou-se um quadro que não corresponde a realidade.

Mas não vamos chorar o leite derramado. Vamos tocar pra frente. Se olharmos para o presente, veremos que a confiança já está sendo retomada em vários setores da atividade.

O Brasil já apresenta resultados palpáveis, como a redução da inflação, a retomada do crescimento e o interesse dos investidores estrangeiros. Tudo isso começa a dissipar essa nuvem cinza que foi colocada sobre o nosso País.

Temos que trabalhar juntos – empresários, Congresso e trabalhadores – para que a confiança aumente cada vez mais e possamos seguir nessa trajetória rumo ao crescimento sustentável.

Muito obrigado e até a próxima.