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País terá novo regime automotivo

publicado: 25/10/2011 00h00 última modificação: 26/05/2015 16h50
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25/10/2011
IPI

País terá novo regime automotivo 
Programa de desenvolvimento do setor exigirá conteúdo nacional acima de 65%

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou hoje que as medidas anunciadas pelo governo para incentivar a produção de carros no País são um sucesso e fizeram com que as montadoras instaladas no País antecipassem seus investimentos.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que as montadoras devem investir US$ 21 bilhões no Brasil até 2014, dos quais US$ 2 bilhões a US$ 3 bilhões imediatamente.  Além disso, outras empresas não filiadas pretendem investir US$ 2 bilhões na produção de componentes nacionais para adensar à cadeia produtiva.

“Várias fábricas anunciaram novos investimentos no Brasil. Isso é uma prova cabal de que a medida surte efeito”, afirmou Mantega ao lembrar a elevação de 30% do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) para as montadoras cujos automóveis não cumprirem alguns requisitos de fabricação, como 65% de conteúdo nacional.

O ministro acrescentou que a medida também cumpriu seu objetivo de proteger a indústria nacional. Até edição da medida, o Brasil importava mais de 70 mil carros por mês.

Conforme a Anfavea, o número representa cerca de 23% dos carros vendidos no País. Sem a elevação do IPI o percentual poderia chegar a até 30%, segundo a associação.“Esse volume iria ocupar todo o aumento de demanda e as empresas poderiam reduzir sua programação de investimentos no Brasil”, reforçou Mantega.

O ministro da Fazenda citou que os impactos da medida vão garantir a manutenção e a geração de novos empregos no Brasil, contribuindo para o crescimento econômico.  Lembrou que o mercado automotivo mundial está atrofiado, sendo que o Brasil é um dos únicos que ainda se mantém atraente. “Estamos dando as condições para que a indústria automotiva continue sendo bem sucedida.”

Mantega lembrou que o governo condicionou o desconto do IPI para empresas que atingirem o índice de 65% de conteúdo nacional à manutenção do nível de emprego. “Isso não significa engessamento”, enfatizou, comentando que após o aumento do imposto, só uma empresa até agora anunciou um Programa de Demissão Voluntária (PDV), a General Motors do Brasil.

 “Mas a GM nos demonstrou que houve contratação em outras fábricas. Demitiu  para fazer uma acomodação regional, mas no conjunto terá gerando mais empregos esse ano do que em 2010”. Destacou ainda que, também em função do acordo com as montadoras, os preços dos carros novos não estão subindo em patamares acima da inflação.

Novo regime – Mantega antecipou que, além do aumento o IPI, que entrará em vigor a partir de dezembro após decisão do Supremo Tribunal Federal que suspendeu o efeito da medida a partir de setembro, o governo está elaborando um novo programa de desenvolvimento da indústria automobilística.

O novo regime, segundo ele, implicará em aumento progressivo do índice de nacionalização dos automóveis comercializados no País. “Vamos estudar um programa com a Anfavea. Queremos garantir que a indústria brasileira seja um caso de sucesso”.

O ministro reafirmou que novas empresas que quiserem se instalar no Brasil terão que se adequar ao novo regime. “Queremos que haja mais produção nacional, com fabricação de auto-peças e partes do veículo aqui, além do emprego de mão-de-obra local”.

Ao lado do presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, durante coletiva após reunião com representantes do setor, o ministro afirmou que o Brasil continuará crescendo, apesar do agravamento da crise.

“Esse ano foi difícil. É um momento de transição e a crise internacional ainda não foi resolvida. Os países europeus estão com dificuldades para equacionar seus problemas e mesmo com a turbulência o Brasil tem como garantir crescimento do emprego e da demanda”.

Mantega traçou um panorama da macroeconomia para os próximos meses. Ele acredita que as condições do câmbio vão melhorar e a diferença entre o dólar  e o real vai diminuir, o que será positivo para a indústria brasileira.

Citou ainda que a previsão do mercado financeiro com relação à política monetária é positiva já que trabalha com a taxa de juros decrescente. “As condições financeiras serão melhores”.

O ministro também está otimista com relação à inflação. Para ele, nos próximos meses não haverá mais necessidade de o governo utilizar instrumentos de controle pois o cenário agora é de queda dos índices inflacionários.

“Com o agravamento da crise, os preços das commodities caem, gerando menor pressão sobre a inflação. São todas essas variáveis que compõem uma taxa de crescimento melhor (em 2012) do que esse ano”, finalizou.

Arquivo de áudio.Download do Áudio da entrevista concedida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o pelo presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, nesta terça-feira (25/10/2011).

Duração: 7m00s
Formato: MP3
Tamanho:
821 Kb
Taxa de bits: 
16 kbps
Acervo: Ministério da Fazenda
Status
: Áudio sem edição