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Europeus querem adiar prazo para aumento das cotas do FMI

publicado: 18/10/2011 00h00 última modificação: 26/05/2015 16h50
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18/10/2011
G-20

Europeus querem adiar prazo para aumento das cotas do FMI
Brasil quer cumprimento integral de acordo firmado em 2010

O ministro da Fazenda Guido Mantega recebeu hoje, em seu gabinete, o ministro de Estratégia e Finanças da Coreia do Sul, Jaewan Bahk. Eles conversaram sobre as perspectivas da economia global e os principais pontos que serão discutidos durante a reunião de cúpula do G20, que acontecerá no início de novembro, em Cannes, na França.

Mantega e Bahk aprofundaram os temas abordados na reunião de ministros de finanças e presidentes de bancos centrais do G20 que aconteceu no último fim de semana em Paris.

O secretário de Assuntos Internacionais, Carlos Cozendey ,relatou que o tema central do encontro na França semana passada foi a necessidade de aumento de recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI) em função da crise financeira europeia.

ACS/GMF

Os países do G20 estão discutindo que modalidade poderia ser utilizada para elevar esses recursos. O Brasil defende a realização de acordos bilaterais a serem firmados entre o FMI e o país que precisar de recursos. O repasse seria feito por meio de empréstimos remunerados.

“Esses recursos ficam disponíveis. É uma espécie de uma linha de crédito e se, houver necessidade, o FMI pede ao País credor que passe os recursos. Basicamente os BRIC´s (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão nessa linha”, explicou Cozendey.

A idéia dos acordos bilaterais, disse o secretário, é de se ter um mecanismo hábil que sinalize apoio da comunidade internacional a uma eventual solução dos problemas europeus. 

“Mas também é uma solução temporária e não um aumento definitivo de recursos para o FMI, porque um aumento definitivo só poderia vir em 2014, quando acontece a próxima discussão para aumento de cotas”.

Cozendey relatou que em Paris, o Brasil defendeu o cumprimento integral do acordo firmando em 2010 quanto à implementação do aumento das cotas do FMI, que deverá ocorrer em novembro de 2012.

Diante da crise, alguns países, principalmente europeus, sugeriram sinalizar aos mercados o adiamento decisão de aumentar as cotas, que se daria por meio a transferência do New Arrangements to Borrow (NAB). “O Brasil não quer isso porque prefere que seja cumprido integralmente o acordo firmado em 2010”, reforçou o secretário.

O NAB é um pool de reservas cuja finalidade é reforçar a capacidade financeira do Fundo e complementar as cotas, que são o instrumento primordial por meio do qual o Fundo financia as suas operações de empréstimo.

Desde novembro de 2009 o Brasil participa do NAB, com uma contribuição de até US$ 14 bilhões. Na reforma de 2010, lembrou Cozendey, foi acertando que em 2012 os países poderiam pegar o dinheiro do NAB e pagar as suas cotas.

De acordo com o secretário, os coreanos inicialmente estavam inclinados a apoiar à prorrogação sugerida pelos europeus, mas tinham ficado impressionados com a proposta brasileira e poderiam acompanhar o país se houvesse consenso na direção dos acordos bilaterais.

Brasil x Coreia - Segundo relatou Cozendey, no encontro de hoje o ministro Guido Mantega lembrou ao colega que comércio entre Brasil e Coreia cresceu três vezes nos últimos cinco anos, sendo que o déficit brasileiro com aquele país cresceu 10 vezes.

“O ministro ressaltou esse aspecto e disse que o comércio entre os dois países deve continuar a se desenvolver entre os dois países, mas que era importante que houvesse um certo equilíbrio”, contou o secretário.

Mantega ressaltou ainda que as exportações brasileiras estão concentradas em produtos primários (commodities) enquanto importa produtos industrializados dos países asiáticos. O ministro coreano, por sua vez, questionou o titular da Fazenda quanto à elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis importados.

Conforme o secretário, Guido Mantega indicou que a medida pode representar um convite às empresas coreanas a se instalarem no Brasil. Enfatizou que o aumento do imposto tem caráter temporário e não será estendido para outros segmentos.

Bahk questionou ainda se, em função do aumento do IPI, os carros mexicanos estariam tendo tratamento diferenciado em detrimento dos coreanos. Mantega reforçou que a medida não é contra um país ou outro, mas voltada para as montadoras, independentemente da sua nacionalidade.

Para ver o Comunicado Conjunto à Imprensa clique aqui

Arquivo de áudio.Download do áudio com os comentários do secretário de Assuntos Internacionais, Carlos Cozendey.

Duração: 23m04s
Formato: MP3
Tamanho:
2,64 Mb
Taxa de bits: 
16 kbps
Acervo: Ministério da Fazenda
Status
: Áudio sem edição