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Para ministro, EUA vão manter política expansionista

publicado: 09/08/2011 00h00 última modificação: 26/05/2015 16h50
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09/08/2011

 

CRISE GLOBAL

Para ministro, EUA vão manter política expansionista 
Mantega convoca demais Poderes para auxiliar Executivo a manter solidez fiscal

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje, em audiência na Comissão Geral da Câmara dos Deputados, que a crise iniciada em 2008 passou da fase financeira para uma crise da dívida soberana dos países avançados. 

Ele fez um apelo para que todos os Poderes a auxiliem o governo a manter a solidez da economia brasileira de forma que o país possa suportar o agravamento da crise.”O Executivo não aumentará gastos e buscaremos que os demais Poderes também não solicitem aumento de gastos”.

Segundo o ministro, nas últimas semanas houve uma conscientização de que a superação da crise demorará. “Temos agora quase que uma decepção do mercado em relação à recuperação das economias dos países avançados”, reforçou Mantega. As alternativas agora, segundo ele, são manter o atual quadro “crônico” da crise ou partir para a sua agudização. “A sensação é de insegurança e o cenário agora é nebuloso”, disse aos parlamentares, acrescentando que a crise desses países passou do colo do setor privado para o colo do governo.

A turbulência financeira internacional se agravou em setembro de 2008, após o anúncio da concordata do banco norte-americano Lehman Brothers, envolvido com os chamados "ativos tóxicos" do mercado imobiliário.

Ao traçar um panorama da fase atual da crise, Guido Mantega citou a fragilidade das contas públicas dos Estados Unidos e a demora da União Européia em equacionar a questão da dívida dos países “periféricos”, como Portugal, Grécia e Islândia. “Os países avançados olharam mais para o fiscal e menos para o crescimento. E o (apoio) fiscal foi retirado prematuramente”, considerou.  

Na avaliação do ministro, houve exageros na avaliação da incapacidade de superação da crise nesses países. No caso dos europeus faltou coragem para resolver o problema da dívida, segundo o titular da Fazenda.

Quanto aos Estados Unidos, Mantega considerou que o conflito do governo do presidente Barack Obama com o Congresso quanto ao aumento do teto da dívida americana agravou a situação. A opinião do ministro é de que o Brasil teve um comportamento muito mais maduro e patriótico no momento da crise, enquanto que nos países avançados houve uma politização que gerou conflitos.

Ele alertou aos parlamentares que, seja qual for andamento da crise, os problemas econômicos se estenderão pelos próximos dois anos. E, diante do prolongamento da crise, afirmou, os Estados Unidos vão manter sua política expansionista, prejudicando o Brasil e outros países emergentes.

“Ao invés de estimular o mercado doméstico, os EUA vão inundar o mundo com ativos financeiros e continuarão com as taxas de juros reduzidas, mantendo o dólar desvalorizado”. Esse cenário, conforme o ministro, alimenta a guerra cambial e faz com que o Brasil continue sendo alvo da entrada capital especulativo.

Mantega reforçou que a crise afeta especialmente o segmento manufatureiro, que não se recuperou da crise desde 2008 devido a guerra comercial travada entre países avançados e os emergentes. Ele lembrou as principais diretrizes do Programa Brasil Maior, lançado na semana passada, que promoveu desonerações para o setor industrial.

“Com a falta de mercado interno, os países avançados buscam as economias que continuam crescendo e exportam parte importante do seu PIB”, disse Mantega. Ele voltou a afirmar que, nessa luta comercial, os países que ainda não superaram a crise optam por práticas predatórias, como subfaturamento dos produtos. Ele também reafirmou que o Brasil expandiu seu mercado interno e, por isso, tem sido vítima de concorrência desleal, sendo necessário o lançamento de mecanismos de proteção da indústria nacional.

Apesar do cenário internacional pessimista, Mantega reafirmou que o Brasil está bem preparado para suportar o agravamento da crise. “Será com ônus, mas estamos em condições de sofrer menos porque fizemos política fiscal sólida, com superávits fiscais cada vez maiores e dívida pública caindo em relação ao PIB”, disse aos deputados. 

Garantiu que o Brasil continuará tomando medidas para evitar a valorização excessiva do real, e para proteger o mercado interno e a produção nacional. Ele defendeu o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para conter movimentos especulativos no país. “Fizemos isso em 2009 e impedimos a valorização excessiva do real”.

Mantega defendeu ainda a atuação do governo no mercado de derivativos. “Nós fizemos o que vários governos fizeram. Não podemos dar liberdade para o mercado financeiro”, disse ao refutar a crítica do ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, à Medida Provisória nº 539, que permite ao Conselho Monetário Nacional (CMN) determinar margens do mercado de derivativos.

Ele considera a medida eficaz pois permite ao CMN a possibilidade de impedir a alavancagem e a desvalorização cambial. “É uma medida prudencial. Os Estados Unidos fizeram o mesmo com fundo de hedge. É tão eficaz que doeu e ouvimos a crítica com satisfação. É sinal de que a medida deu resultado”.
 

Arquivo de áudio.Download do áudio da apresentação do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Duração: 38m48s
Formato: MP3
Tamanho:
17,7 Mb
Taxa de bits: 
16 kbps
Acervo: Ministério da Fazenda
Status
: Áudio sem edição