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Mantega reafirma que estagnação da economia americana prejudica setor manufatureiro

publicado: 23/08/2011 00h00 última modificação: 26/05/2015 16h50
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23/08/2011

 

CAE

Mantega reafirma que estagnação da economia americana prejudica setor manufatureiro
Ministro diz que perda de confiança do consumidor agrava crise nos países avançados e provoca reflexos nos emergentes

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje, durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que a crise da dívida soberana dos Estados Unidos e de alguns países da União Européia pode se transformar numa nova crise do sistema financeiro e já se fala em risco de recessão.

“A crise de 2008 não terminou para os países avançados. Ela se tornou uma crise da dívida soberana e por vir a se transformar novamente numa crise bancária, pois as instituições financeiras são os principais credores (dessas dívidas). É rotativo”.

Há três anos, a partir do pedido de concordata do banco americano Lehman Brothers, teve início a crise financeira internacional.

Segundo o ministro, há uma preocupação com o baixo nível de crescimento da economia americana. “Ela não está gerando dinamismo na economia global, não está gerando empregos e nem demanda para os manufaturados produzidos no mundo”, observou.

Mantega frisou que situação econômica dos EUA não é ainda pior porque os bancos, neste momento, estão estabilizados. Criticou, porém a falta de uma política fiscal americana e reafirmou, assim como fez durante audiência da Comissão Geral da Câmara dos Deputados, que o conflito político entre democratas e republicanos atrapalha os avanços necessários para a recuperação do país.

Mantega também reafirmou que, no Brasil, ao contrário dos EUA, não há conflito político capaz de atrapalhar a economia. “Do ponto de vista político, estamos mais maduros”.

Quanto à situação dos países da União Européia, como Portugal, Grécia e Irlanda, repetiu que os europeus não conseguem solucionar os problemas das suas dívidas. Segundo o ministro, os € 400 bilhões do fundo de estabilização europeu não são suficientes.

“Só a dívida da Grécia, que está em pior situação, é de € 350 bilhões. Deveriam colocar € 1 trilhão de euros nesse fundo. Mesmo que (todo esse valor) não seja utilizado, recupera a confiança do consumidor”, disse Mantega aos senadores na CAE.

Para o titular da Fazenda, a sociedade não acredita nas soluções empregadas nesses países, provocando uma crise de confiança que ajuda a aprofundar a turbulência. Ele citou que o índice de confiança do consumidor americano caiu para o mesmo nível de 2008. “Quando o consumidor não confia, não consume e não ativa a economia. Ele poupa e tem medo de perder o emprego”.

O ministro lembrou que esse cenário instável dos países desenvolvidos vai afetar os emergentes, levando a uma maior disputa nos mercados, especialmente no setor manufatureiro. Ele voltou a criticar a política expansionista americana.

“Eu não sou contra essa política quando é necessária. Mas ela sozinha não resolve o problema porque o excesso de liquidez não é absorvido pelo setor produtivo. É dinheiro (que vai) para especulação e que leva a guerra cambial”, declarou.

A avaliação de Mantega é de que, ao persistir esse quadro de excesso de liquidez nos emergentes, pode haver redução do crescimento da economia mundial. “Os países emergentes são responsáveis por 80% do crescimento mundial”.

Diante da nova fase da crise internacional, o ministro reforçou que o Brasil está melhor preparado para o seu enfrentamento. Citou que o país tem reservas internacionais em patamares mais elevados do que em 2008 (US$ 350 bilhões ante US$ 200 bilhões) e disse que o mercado interno continua em crescimento.

Apontou ainda a solidez do sistema financeiro, menor dependência do mercado externo, melhor situação fiscal e dívida pública estável como fatores que tornam a economia brasileira menos vulnerável. “O Brasil é um país que possui confiança. Há 12 anos construímos superávit primário e estamos cumprindo as metas fiscais com sobra”.

Mantega reconheceu que o cenário internacional provoca desafios, entre os quais: manter a trajetória da consolidação fiscal para fazer bons resultados primários; conter gastos de custeio; abrir espaço para a continuação dos investimentos e desonerações; reduzir juros; e nova relação entre as políticas fiscal e monetária.

O ministro citou as medidas de defesa comercial anunciadas no início de agosto para proteger a indústria manufatureira brasileira da concorrência predatória – Brasil Maior. Como os países avançados estão com seu mercado interno estagnado, exportam seus produtos a custo baixo para os emergentes, prejudicando a indústria nacional.

“O Brasil é um dos países que mais abre ações de dumping. Temos que combater a triangulação entre os países”, disse aos senadores, acrescentando que há um déficit anual de US$ 82 bilhões no saldo do setor de manufaturado. “Estamos sofrendo e não podemos permitir que a indústria brasileira seja extinta. Pois um país sem indústria não gera emprego e nem desenvolvimento tecnológico”.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social/GMF

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Arquivo de áudio.Download do áudio da apresentação do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Duração: 47m19s
Formato: MP3
Tamanho:
21,6 Mb
Taxa de bits: 
16 kbps
Acervo: Ministério da Fazenda
Status
: Áudio sem edição