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Bancos brasileiros terão linha de crédito para financiar comércio exterior

publicado: 06/10/2008 00h00 última modificação: 26/05/2015 16h49

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06/10/2008

Bancos brasileiros terão linha de crédito para financiar comércio exterior
 “A crise de confiança nas instituições financeiras internacionais é passageira e resultado da irracionalidade dos mercados”


       O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, comentaram na tarde desta segunda-feira (06/10) a situação dos mercados internacionais e anunciaram medidas adicionais que o governo vai adotar para manter a confiança dos investidores na economia brasileira.

O governo lançará uma linha de crédito em dólares das reservas internacionais a partir de contrato que garante a recompra dos títulos no mercado futuro (swap). Serão realizados leilões onde o Banco Central vende o título da República em real e o repõe em dólar. Os detalhes das operações serão divulgados amanhã (07/10).

O anúncio confirma a declaração do ministro Guido Mantega dada na semana passada de que o governo brasileiro poderia fazer uso das suas reservas internacionais, hoje superiores a US$ 200 bilhões, de forma criativa e inteligente. Com a decisão da equipe econômica, os bancos brasileiros poderão utilizar os dólares que estão nas mãos dos bancos estrangeiros para fazer operações de comércio exterior. 

Mas a intenção do governo é manter as reservas em patamares elevados. “A determinação é de usar de forma adequada, realizando leilões em dólares, e disponibilizar parte das reservas para bancos brasileiros que vão financiar as exportações”, reforçou o ministro da Fazenda. “Essa troca de ativos vai irrigar o sistema de comércio”, explicou.

O ministro anunciou ainda que o BNDES vai ampliar recursos para a linha de financiamento de pré-embarque em linhas de comércio exterior. Serão mais R$ 5 bilhões adicionais, de um total previsto de R$ 15 bilhões provenientes do Tesouro Nacional.

Em função da falta de confiança nas medidas dos governos americano e europeu adotadas para tentar conter a crise financeira, as bolsas em todo o mundo desabaram (ultrapassando dois dígitos no caso da Bovespa) na manhã de hoje e o dólar registrou forte alta (R$ 2,180 na venda por volta das 14h25). 

“Esse cenário se deve ao fato de que o pacote americano (de US$ 700 bilhões) não foi colocado em prática porque requer detalhamento técnico, como a forma e o preço da compra dos ativos podres”, disse o ministro Guido Mantega. A situação se agravou com a piora da situação da economia européia. 

Conforme Mantega, não houve confiança na tentativa de chefes europeus de engendrar o plano que evitar a quebra de instituições financeiras, como o banco de hipotecas alemão Hypo Real State (HRE), apesar da garantira de cobertura do total dos depósitos dos correntistas.

Para o ministro a crise de confiança nas instituições financeiras internacionais é passageira. “Acredito que sairemos da fase aguda dessa crise, a maior desde a 1929”, comentou. “É aguda e fica pior porque os mercados tendem a cair na irracionalidade e têm um comportamento de manada”, comentou acerca do nervosismo do mercado. 

Mantega acredita na reconstituição das linhas de crédito para financiamento, que secaram. Mas reconheceu que estas linhas de financiamento ficaram num patamar menor e com taxas de juros elevadas, levando a um menor crescimento da economia. “O Brasil não está imune à crise, mas ela atinge mais fortemente a países fragilizados. Apesar dos problemas de liquidez em função do estrangulamento do crédito, não temos problemas de solvência”.

No pronunciamento feito a jornalista na sede o Ministério da Fazenda, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, lembrou as medidas já adotadas pelo governo brasileiro para garantir a solidez da economia, como os leilões de venda de dólares para recompra contratada, repondo parte das reservas com garantias em reais; antecipação da garantia de dólar no mercado futuro (swap doméstico abrangendo US$ 24 bilhões injetados no mercado interno); e atendimento das demandas de liquidez liberando R$ 300 milhões em depósitos compulsórios que os bancos seriam obrigados a depositar no BC. 


Arquivo de áudio.Clique aqui para ouvir a declaração do ministro de estado da Fazenda, Guido Mantega.

Duração: 21m33s
Tamanho

: 2,46 Mb

Formato: MP3
Taxa de bits:

16 Kbps.

Acervo: Ministério da Fazenda.
Status
: Áudio sem revisão.