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Crescimento anual médio de 4,5% até 1998, diz ministro

publicado: 17/04/1996 00h00 última modificação: 07/02/2017 14h36

Notas Oficiais

 

17/04/1996

Crescimento anual médio de 4,5% até 1998, diz ministro

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse hoje (17/04) que a economia brasileira continuará crescendo em média 4,5% ano no período de seis anos que vai de 1993 a 1998, não havendo qualquer alteração nos rumos da política econômica quanto às taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Para este ano - disse o ministro a jornalistas de economia de emissoras de rádio e tv pela manhã - não há alteração nas previsões anteriores com que trabalham os institutos de pesquisa. "Continuamos trabalhando com a expectativa de curto prazo com algo perto de 4% para 96"- reafirmou o ministro.

O importante é olhar não só o curto prazo mas sim um período mais longo. "Nos seis anos que vão de 93 a 98 devemos ter uma média da ordem de 4,5% reais (de crescimento do PIB), o que não é desprezível em qualquer lugar do mundo, mesmo porque nos três anos anteriores tivemos queda na economia e inflação de até 5 mil por cento" ao ano, disse, lembrando que agora vivemos em outra situação, com baixas taxas de inflação e um crescimento sustentado da economia.

Lembrou que não se pode dizer que estamos com problemas de crescimento econômico, quando se compara o caso brasileiro com países semelhantes, em processo de ajustamento econômico. "Veja-se que no ano passado, quando o México registrou uma queda de 7% e a Argentina de 4,4%, o Brasil cresceu 4,2%", observou.

"Nossa meta é termos um período de crescimento sustentado da economia, e para isso o principal desafio agora é aumentar a poupança nacional, tanto a poupança privada quanto a pública, reduzindo a despoupança do setor público". O aumento da poupança do setor privado corresponde em tese ao aumento dos investimentos que vão gerar emprego e renda. A despoupança do setor público equivale ao déficit público (necessidade de financiamento do setor privado), o qual o governo trabalha para reduzir até ser substituído por pequeno superávit fiscal.

"Nosso objetivo é ter a inflação sob controle com queda gradual, e não trazê-la para 2 ou 3% ao ano como se pretende na Argentina ou se tem nos países mais desenvolvidos"- disse Pedro Malan ao jornalista Carlos Alberto Sardenberg, na rádio CBN. O jornalista disse que muita gente já trabalha com uma expectativa de inflação anual menor do que os 15% anteriores.

A melhor experiência para o Brasil prestar atenção, em matéria de inflação e crescimento, seria a do Chile, "onde estão melhor por terem uma taxa de poupança de 6 a 7 por cento maior do que a nossa". Hoje os chilenos investem não só no país como no exterior, controlando a metade da geração de eletricidade de Buenos Aires e Lima, lembrou Pedro Malan.

"É ingenuidade olhar para o Brasil e achar que a inflação não é mais problema", disse. "É muito fácil aumentar o nível de atividade no curto período. O problema é que isto não se sustenta a médio e longo prazos, acaba engendrando mais inflação e depois desequilíbrios de balanço de pagamentos. Precisamos sim, crescer mais, mas com mais poupança" -afirmou. Quanto ao comentário do economista do MIT Rudger Dornbusch, de que deveríamos voltar a ter alguma inflação maior em troca de crescimento mais rápido da economia, o ministro Pedro Malan limitou-se a dizer que, em sua opinião, faltou ao economista "conhecimento e experiência".

Sobre as taxas de juros, o ministro lembrou que continua a tendência de queda gradual, como todos os analistas já perceberam. "A taxa básica, que era de 4,2% há algum tempo, agora está em torno de 2%", o que é uma queda expressiva que deverá continuar e será maior à medida em que dermos a impressão à sociedade de que estamos equacionando os problemas básicos do país, que passam também pelas reformas constitucionais" - afirmou o ministro.

* Sobre o presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, o ministro Malan reafirmou que ele continua no cargo. "O presidente da República já o disse, já expressou sua confiança. Acho que é perda de tempo. Se ele tem a confiança do presidente da República e do ministro da Fazenda, que são as duas pessoas que podem dizer. O Loyola tem a nossa confiança" - reafirmou.

*Sobre a reivindicação salarial dos sindicatos de servidores públicos, da ordem de 46%, o ministro disse que isto é impossível de se atender porque significa um aumento de R$ 19 bilhões na folha de salários do setor público, prevista este ano para cerca de R$ 41 bilhões. "Significaria fazer um adiantamento permanente de R$ 19 bilhões, o que é obviamente impossível". Lembrou que o índice de 46% que estão pedindo os servidores é "mais do que o dobro do maior de todos os índices de inflação disponíveis de todos os institutos utilizados pelo mercado", o que mostra o despropósito da reivindicação.

*Sobre a reposição dos valores para os aposentados, o ministro disse que este é um "pleito legítimo", que está sendo considerado pelo governo e a decisão sairá brevemente.

 

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