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Ministro confia na aprovação das reformas

publicado: 08/01/1996 00h00 última modificação: 26/05/2015 16h50
Notas Oficiais

08/01/1996

Ministro confia na aprovação das reformas

O Governo está confiante no apoio do Congresso Nacional às propostas de reformas da previdência e da administração e de formação do Fundo de Estabilização Fiscal, disse hoje (08.01), o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ao ser indagado sobre a expectativa da área econômica em relação aos trabalhos do Congresso Nacional, que reabre hoje em convocação extraordinária.

Em entrevista ao programa Revista Nacional, que foi transmitido para todo o país em rede de rádio, comandada pela Rádio Nacional Brasília, do sistema Radiobrás, o ministro da Fazenda disse esperar que o Congresso Nacional ''mais uma vez será capaz de chegar à altura dos desafios que a sociedade brasileira espera dele. Afirmou que sua expectativa é baseada no ''excelente trabalho'' desenvolvido pelos parlamentares em 95, que resultou na aprovação ''de um volume ponderável de matérias de interesse - não do governo - mas do Brasil''.

Ao fazer uma avaliação do Plano Real, Pedro Malan disse que a queda da inflação aos níveis atuais significou, na prática, uma transferência de renda - equivalente a U$ 12 bilhões - para a classe da populacão que recebe rendimentos mais baixos. Isso aconteceu, conforme explicou, com o fim do imposto inflacionário.

''A inflação - observou -, que chegou a cinco mil por cento no período imediatamente anterior ao Plano Real, era um imposto que incidia sobre os mais pobres do país''. A classe de renda mais baixa, conforme explicou, não tinha como se defender contra esse imposto, que equivalia a quase dois por cento ao dia. Somente um segmento da população podia contornar a inflação, por meio de aplicações na ciranda financeira, recebendo os benefícios da correção monetária e outros atrativos proporcionados pelas aplicacões, disse Malan.

Segundo o ministro da Fazenda, a superação dos índices inflacionários, que envergonhavam o Brasil perante o mundo, resultou no apoio expressivo da população brasileira ao Plano Real. "A população apoia e quer a continuidade do programa do governo'', disse o ministro.

O ministro da Fazenda criticou a persistência de taxas elevadas nos portos brasileiros, as altas despesas de transportes de carga e a exportação de impostos embutidos nos preços de mercadorias, que compõem o chamado Custo Brasil. ''É um pouco humilhante para um ministro brasileiro ouvir de governos de outros países - e não falo de países distantes, falo de países vizinhos - o que fizeram ao longo dos últimos anos para reduzir custos de produção de bens e serviços''.

O ministro apontou os altos custos portuários como o exemplo mais expressivo do atraso brasileiro nessa área. Acrescentou porém estar confiante de que o Brasil vai superar, ao longo dos próximos três anos, a defasagem que o separa de vizinhos, como a Argentina. ''Esse é nosso desafio'', disse. Conforme lembrou, na Argentina, há alguns anos, os portos eram extremamente ineficientes, ''hoje são mais eficientes que os brasileiros, após poucos anos de mudanças'', comentou.

Malan atribui o problema do Custo Brasil à situação existente na era anterior ao plano real. Explicou que a economia funcionava, na época, com base na subvalorização da moeda, o que reduzia o custo das mercadorias produzidas e exportadas, mas não eliminava a ineficiência da produção, do sistema tarifário, dos transportes e da infra-estrutura.

 

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