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Mantega defende que países avançados façam esforço adicional para recuperar economia

Ao comentar revisão do crescimento das economias pelo FMI ministro disse que o mundo todo crescerá menos em 2014
por publicado: 07/10/2014 19h50 última modificação: 26/05/2015 16h49

Os países desenvolvidos devem adotar medidas mais eficientes e fazer um esforço extra para estimular o crescimento das suas economias e assim contribuir para o crescimento do PIB mundial. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a discussão sobre como elevar o PIB no mundo faz parte da agenda do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do G-20 e é essa a posição que o Brasil defenderá durante a reunião de cúpula do grupo, que acontecerá na Austrália em novembro.

“Espero que a União Europeia faça um esforço adicional, monetário e fiscal, para retomar o crescimento. Ou faz como os Estados Unidos, que adotaram uma política monetária mais agressiva, de modo que tenham mais crédito para aumentar a atividade econômica, ou faz política fiscal expansionista, como fizemos no Brasil”.

O ministro fez as declarações ao comentar a nova previsão de crescimento da economia  mundial divulgada pelo FMI. No novo Panorama Econômico Global, o fundo reduziu para 0,3% a previsão de crescimento do Brasil em 2014, ante 1,3% previsto em julho. 

Mantega destacou a importância da retomada do crescimento da UE para impulsionar as demais economias.  “O continente europeu é praticamente 1/3 da economia mundial. Quando não está aumentando mercado e quando não está aumentando o consumo a gente fica sem uma perna. A China também reage a isso, porque precisa do mercado europeu e do mercado americano para exportar”, completou, citando ainda as dificuldades de recuperação do Japão e da Alemanha.

Para Mantega, a nova abordagem do FMI implica em dizer que a economia internacional está crescendo menos do que o próprio organismo internacional havia previsto. Em sua revisão, o FMI  projetou que a economia mundial crescerá 3,3% este ano. O ministro lembrou que  a previsão de crescimento já tinha chegado a 3,8% e depois começou a cair.

“O fundo contava com a recuperação das economias avançadas e com um desempenho melhor das economias emergentes e nada disso aconteceu. A única economia avançada que tem um desempenho melhor é os Estados Unidos e em segundo lugar o Reino Unido. Os demais países avançados frustraram as expectativas”.

Para o ministro,  a previsão de 0,3% de crescimento para o Brasil em 2014 parece um pouco pessimista. “É verdade que nós tivemos um primeiro semestre de crescimento mais fraco, porém no segundo semestre estamos observando uma recuperação gradual da economia brasileira”.

De acordo com Mantega vários indicadores apontam que o Brasil teve uma aceleração moderada do crescimento a partir de julho. Ele mencionou o IBC-Br, do Banco Central, que foi de 1,5% em julho, e  o monitor do PIB mensal da FGV,  de 1,56% em julho e 0,79% em agosto. “A produção de bens de capital em julho foi 15% e a produção de petróleo e gás está indo muito bem, cresceu 3,1% em julho, 2,9% em agosto” citou.

O ministro adiantou ainda que houve uma recuperação das vendas e da produção da indústria automobilística.  Segundo ele, a produção de veículos aumentou  17% em julho, 4,7% em agosto e 13,7% em setembro, sempre na comparação com o mês anterior.

Mantega ressaltou também os fatores internos que impactaram no menor crescimento do país no primeiro semestre, como a pressão inflacionária gerada pela seca que teve reflexos sobre os preços dos alimentos. Lembrou que esse movimento fez o Banco Central adotar uma política monetária rigorosa, reduzindo a disponibilidade de crédito. 

“A parte de não crescimento esse ano é falta de crédito, a partir da política monetária que, para combater a inflação, foi mais contracionista. A medida que a inflação ficar mais comportada, o Banco Central começa a flexibilizar”.

O ministro avaliou ainda que apesar do crescimento menor, o Brasil tem parâmetros econômicos saudáveis, com a manutenção do alto nível de emprego, da  massa salarial e do mercado consumidor, além de reservas elevadas que reduzem a vulnerabilidade do país frente turbulências internacionais.