O
secretário-Executivo do Ministério da Fazenda e presidente do Conselho
Nacional de Política Fazendária, Nelson Barbosa, defendeu o Projeto de
Resolução 1/2013 e a MP 599/2012 que trataram da unificação do Imposto
Sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), em audiência pública nesta
terça-feira (12), na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal.
Pela
proposta, as alíquotas estaduais de ICMS serão unificadas em 4% até 2025
(PRS 1/2013), criando uma saída organizada da guerra fiscal a partir de
discussões com setores produtivos e de governo.
“É
necessário entender que cada um dos estados vai precisar ceder um pouco
em benefício de todo o país”, declarou, no início de sua exposição. “O
que é a guerra fiscal? É a concessão de incentivos sem a concordância
dos outros Estados; um mecanismo que serviu para atender o
desenvolvimento de algumas regiões, mas que se esgotou no tempo e
prejudica o país, criando insegurança para os empresários – que usam os
instrumentos para fazer barganha – e ameaçando a Federação”, justificou.
O
secretário-Executivo defendeu a criação de uma única alíquota
interestadual, compensando os estados que tiverem perdas por meio de
dois fundos: um para contrabalançar a perda de arrecadação e outro para
o desenvolvimento regional, como instrumento de política industrial e
estímulo econômico.
“Defendemos
a proposta e lembramos que, apesar de a transição ser rápida em relação
a alguns estados, a mudança terá o cuidado de dar-se de forma mais
demorada em relação às unidades da federação menos desenvolvidas”,
disse.
A redução
das alíquotas referentes a transações entre os estados do Norte,
Nordeste e Centro-Oeste com os estados do Sul e Sudeste vai demorar 12
anos. As demais alíquotas cairão em três anos. Com isso, 83% das
transações passarão a ser tributadas em 4% no prazo de três anos,
enquanto outras 17% terão um prazo maior.
Nelson
Barbosa explicou que o percentual de 4% foi indicado como a proposta
possível em reuniões do Conselho Nacional de Política Fazendária. “A
guerra fiscal não faz bem a ninguém. Ela estimula que cada estado, na
disputa, derrube a sua arrecadação para atrair os investimentos e assim,
no longo prazo, derruba a arrecadação de todos”, explicou.
O
secretário-Executivo lembrou que a proposta de alteração do ICMS faz
parte de uma ampla discussão entre governo e empresários, num debate que
envolve ainda o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e a renegociação
das dívidas das 27 unidades federação. “Todos têm algo a perder, mas a
solução vai melhorar o país a longo prazo e ampliar a arrecadação,
beneficiando a Federação”, garantiu.
Desenvolvimento
O debate
contou ainda com a participação de secretários da Fazenda de sete
estados. O secretário de Fazenda de Pernambuco Paulo Henrique Saraiva
Câmara, por exemplo, manifestou a preocupação dos estados nordestinos
com a unificação e defendeu a definição de alíquotas diferentes para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste, garantindo equilíbrio e
igualdade.
Apontou
ainda a necessidade de assegurar um prazo de transição que permita aos
estados absorver as perdas da arrecadação do ICMS. Defendeu também o
aumento de recursos para compensar as perdas e estimular o
desenvolvimento regional.
Estados
Conforme
informou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que presidia a sessão e
participou de uma das reuniões com o secretário, as audiências sobre o
ICMS devem ter início na próxima semana e a Resolução será votada já no
dia 26 de março. “Queremos votar em plenário na primeira quinzena de
abril, pois isso abre caminho para votar a Medida Provisória de reforma
do ICMS”.
“Iniciamos
2013 com uma atividade mais forte, o que indica que teremos um
crescimento mais rápido da economia este ano. Esperamos que essa
recuperação continue nos próximos meses”, indicou Barbosa.
Barbosa
lembrou que o ICMS, junto com PIS/Cofins, é um dos maiores entraves
tributários brasileiros e que a União está trabalhando gradualmente para
resolver essa questão. “A redução do ICMS faz parte de uma estratégia
maior do governo para a devolução de crédito e para aumentar a
eficiência do sistema”.
Apesar de
acreditar que a proposta do governo é a “melhor para o Brasil como um
todo, por uma questão de eficiência e funcionamento da economia”, o
secretário ressaltou que pedidos de parlamentares ainda serão avaliados
pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
“Vamos
analisar várias sugestões que nos foram passadas, como o valor do fundo,
o prazo e a alíquota”, garantiu o secretário, destacando que o limite do
fundo ainda será definido e que o prazo necessário é de 20 anos
Fonte: Assessoria de Comunicação
Social - GMF
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