O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou hoje que os recursos
arrecadados pelo governo federal com a concessão dos aeroportos de Brasília,
Gurulhos e Viracopos irão financiar investimentos no setor aeroportuário.
“Principalmente os aeroportos regionais que têm uma rentabilidade menor
e, portanto, não são passíveis de concessão”.
Ao
comentar o resultado do leilão,
realizado ontem na Bovespa, o ministro esclareceu que os R$ 24,5 bilhões
a serem pagos pelas concessionárias (ágio de 347%) entram nos cofres do
Tesouro Nacional por meio do Fundo Nacional de Aviação (FNAC) e não serão
utilizados para abatimento da dívida pública federal ou para aumentar o
superávit primário.
“Isso
não afeta em nada, por exemplo, o anúncio do contingenciamento que nós
vamos fazer nos próximos dias, e que
será suficiente para fazermos o superávit primário”, garantiu, sem
adiantar os números.
Mantega
afirmou ainda que o governo não está pensando, neste momento, em fazer
novas concessões de aeroportos. “Não é correta a informação de que
o governo estaria estudando a concessão de aeroportos regionais para
estados e municípios”, destacou. O ministro adiantou que a intenção é criar uma rede que abrange os aeroportos principais e
regionais.
Conforme
o ministro, o modelo de concessão atual é diferente do realizado pelo
governo Fernando Henrique Cardoso, que obrigava que os recursos do leilão
fossem utilizados para abater a dívida pública.
“Estou
dizendo que é uma diferença fundamental na forma de concessão. Ela não
vai para o superávit primário. [A verba] Entra
no caixa do governo e será direcionada para o fundo destinado ao setor
aeroportuário e será utilizada para ampliar a nossa capacidade de
aeroportos, criando uma grande rede regional”, reforçou.
Quanto
à saúde financeira dos consórcios que venceram o leilão, Mantega
explicou que, na próxima etapa da concessão (qualificação), as
empresas têm que demonstrar capacidade própria de financiamento,
investimento e gerenciamento dos aeroportos. .
“Tem
que ter capacidade financeira para fazer investimento e capacidade
operacional para que nós tenhamos um excelente serviço nos aeroportos
brasileiros”. Mantega não descartou a possibilidade de o BNDES
financiar as empresas vencedoras.
“Elas
vão
poder contar [com o BNDES]. Em qualquer
país do mundo você tem fontes de financiamento para fazer investimento,
mas tem que ter também capacidade própria. Tem que ter rating”.
O
ministro considerou positivo o resultado do leilão dos aeroportos. “Nós
vimos que vários grupos econômicos estão interessados em participar
desses empreendimentos”.
Voltar