|
Conteúdo
multimídia
07/11/2008
Emergentes:
Crise mundial impõe nova regulação financeira
Os ministros das Finanças do BRIC (Brasil, China, Índia e Rússia) concluíram em sua primeira reunião, ocorrida durante todo o dia de hoje
(07/11) no Hilton Hotel, em São Paulo, que a gravidade da crise financeira demonstra a necessidade de reorganização e nova regulação do sistema financeiro internacional, uma Bretton Woods II, nas palavras do ministro da Fazenda brasileiro, Guido Mantega.
|
Em coletiva à imprensa ao final da reunião com os colegas dos demais países dos BRIC, Mantega afirmou que faltam regras mais sólidas para impedir as transações de ativos podres com ativos sadios e reforçar a fiscalização dos fundos de investimentos, por exemplo. No caso das transações de ativos podres que contaminaram os sadios, Mantega acredita que houve falha das agências de
rating ao permitirem este tipo de operação.
Outro consenso entre os BRIC é de que os países emergentes devem ter maior participação nas tomadas
de decisões do Banco Mundial e do FMI em casos de condução de crises. “A minha proposta é de alçar o G-20 à mesma condição do G-7, ou seja, ser formado por chefes de Estado e não por ministros e com maior participação acionária nestes organismos internacionais”, revelou Mantega. “Nós estamos dispostos a colocar mais dinheiro no FMI e no Banco Mundial para ampliar nosso poder decisório”, garantiu. |
|

São Paulo - Encontro do G20, em
São Paulo. Guido Mantega, ministro da Fazenda do Brasil falando com os jornalistas durante coletiva de imprensa.
Foto: Adri Felden/ Argosfoto/ Divulgação.
|
A avaliação do ministro é de que as demais economias emergentes concordem com sua proposta. O ministro disse ainda que atualmente os emergentes são responsáveis por 75% do crescimento da economia do mundo e têm pouca voz nas decisões. “É preciso reformular essa correlação de forças e o G-20 deve deixar de ser apenas um órgão reflexivo”.
Mantega destacou ainda que o FMI e o Banco Mundial não conseguiram detectar a crise com antecedência levando-a
para uma magnitude capaz de reverberar por todos os mercados mundiais.
Guido Mantega afirmou ainda que na reunião desta sexta-feira, os BRICs concordaram que devem coordenar melhor suas ações e estreitar ações políticas e econômicas. “Queremos um novo bloco de poder, mais atuante, mais eficaz”, observou o ministro. Ele acrescentou que a crise só pode ser combatida pela ação coordenada de todos os países na formulação das soluções.
As propostas discutidas na reunião do BRIC serão apresentadas no encontro do G-20 que acontece sábado
(08/11) e domingo (09/11), no Hilton Hotel. O encontro tem como objetivo discutir os impactos da crise financeira internacional e propor soluções que deverão ser adotadas para minimizar os riscos nos países emergentes.
As propostas serão apresentadas na primeira reunião do G-20 em Washington, no próximo dia 15. A expectativa do ministro é que haja boa receptividade dos países avançados à nova “condição” reivindicada pelo G-20. Ele acredita que na capital norte-americana podem ser formados grupos de trabalho para discutir a crise, como um específico sobre o mercado de derivativos.
Mantega adiantou ainda que os países emergentes estão dispostos a criar novos organismos que representem o G-20. Questionado sobre a eleição de Barak Obama, nos Estados Unidos, o ministro disse acreditar que ele tem credibilidade e legitimidade, comprovada pelas urnas, para resgatar a confiança da população no sistema financeiro.
Volte à página
anterior
|