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02/07/2008

Mantega: Temos condição de enfrentar a inflação sem interromper o ciclo de crescimento

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, participou, nesta quarta-feira, de audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados. O ministro apresentou um panorama atualizado da inflação e disse que os bancos centrais já consideram a turbulência financeira atual como a maior desde a 2ª Guerra Mundial. Mantega afirmou que a inflação no Brasil existe, mas é moderada e o governo está utilizando os instrumentos necessários para combatê-la. "Há um alarmismo absolutamente fora de propósito. É preciso olhar para o problema, que é sério, e dar a verdadeira dimensão".

Ele destacou que, devido ao choque de commodities como petróleo, alimentos e aço, apenas dois países estão dentro de suas metas de inflação, Canadá e Brasil. Além disso, a inflação dos últimos 12 meses (5,6%) é a menor entre os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e tem os alimentos como principal vetor. "O Brasil está bem situado em comparação com outros países".

Mantega lembrou que no passado, as medidas de combate à inflação desestimulavam os investimentos e diminuíam o crescimento. "Isso é um erro que nós não vamos cometer. Estamos mantendo os programas do governo e estimulando a iniciativa privada". De acordo com o ministro, não estão faltando produtos no mercado e a população não precisa fazer estoque, pois o lançamento do Plano Safra 2008/2009 vai estimular o aumento da produção e o Brasil poderá se aproveitar do problema mundial "Se tem um país que pode reagir, fortemente, ao problema mundial, é o Brasil. O Brasil já é 1º colocado em vários itens de produtos agrícolas, vamos ser ainda mais. Vamos aproveitar esses preços elevados". 
 

Brasília - Ministro da Fazenda, Guido Mantega, em audiência pública na Comissão de
Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados
Foto: ACS/GMF

Fundo Soberano

Segundo o ministro, o projeto de Lei que cria o Fundo Soberano do Brasil será encaminhado nesta quinta-feira (03/07) ao Congresso Nacional. Ele afirmou que o principal objetivo do Fundo, no momento, é fazer uma poupança fiscal de 0,5% do PIB. Essa poupança ficará disponível como instrumento anti-cíclico, garantindo um crescimento mais estável e de longo prazo. Mantega explicou que o Fundo nunca terá remuneração menor que as reservas, pois poderá adquirir ativos como debêntures em moeda estrangeira ou ações de empresas brasileiras no exterior via BNDES. "Nos momentos adequados ele poderá ter uma função cambial e de apoio às atividades brasileiras no exterior. Sempre sintonizado, evidentemente, com o Banco Central". Para dar transparência, será constituído um Conselho Deliberativo que encaminhará, semestralmente, ao Congresso, um relatório de desempenho com todas as atividades do Fundo.

 

 

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